COF e Envase Automático: Entenda o Impacto do Coeficiente de Atrito

O coeficiente de atrito, conhecido pela sigla COF, influencia diretamente a forma como um filme flexível desliza, avança, é tracionado e entra em contato com os componentes de uma linha automática de envase.
Quando o COF está acima ou abaixo da faixa adequada para o equipamento, podem surgir dificuldades de desbobinamento, variações de tensão, enrugamento, perda de registro, falhas na formação da embalagem, escorregamento nas correias de tração e interrupções do processo.
Por isso, o melhor resultado não é necessariamente o menor coeficiente de atrito.
O filme precisa apresentar deslizamento suficiente para atravessar a máquina sem resistência excessiva, mas também deve oferecer aderência controlada para que correias, roletes e sistemas de movimentação consigam conduzi-lo com precisão.
O ensaio de COF permite medir o atrito estático e o atrito dinâmico do filme em condições controladas. Esses resultados ajudam a comparar materiais, investigar variações entre lotes e avaliar se as superfícies da embalagem são compatíveis com as exigências do envase automático.
O que é o coeficiente de atrito?
O coeficiente de atrito é uma relação entre a força necessária para iniciar ou manter o movimento de uma superfície sobre outra e a força normal aplicada entre essas superfícies.
O resultado é adimensional, ou seja, não possui uma unidade de medida própria.
Em embalagens flexíveis, o COF pode ser determinado entre:
- filme e filme;
- lado externo e lado externo;
- lado interno e lado interno;
- lado externo e metal;
- filme e outro material presente no equipamento.
Essa identificação é essencial. Informar apenas que um filme apresenta determinado COF, sem esclarecer quais superfícies foram colocadas em contato, pode levar a uma interpretação inadequada.
A superfície externa pode precisar deslizar sobre o tubo formador ou sobre partes metálicas da máquina. Já a superfície interna precisa formar a embalagem, entrar em contato consigo mesma e participar da selagem.
Como as duas faces podem receber tratamentos, tintas, vernizes, revestimentos ou formulações diferentes, seus comportamentos de atrito não devem ser presumidos como iguais.
Qual é a diferença entre COF estático e COF dinâmico?
O coeficiente de atrito estático está relacionado à força necessária para iniciar o movimento entre duas superfícies que estavam em repouso.
O coeficiente de atrito dinâmico, também chamado de cinético ou de deslizamento, representa a resistência encontrada depois que o movimento já começou.
| Propriedade | Momento avaliado | Relação com o envase |
|---|---|---|
| COF estático | Início do movimento | Influencia a partida do filme, o desbobinamento e a superação da aderência inicial |
| COF dinâmico | Movimento contínuo | Influencia o deslizamento do filme durante sua passagem pela máquina |
| Bloqueio | Separação de camadas em contato prolongado | Pode dificultar a abertura da bobina ou a separação de superfícies, mas não é sinônimo de COF |
No ensaio, o COF estático costuma ser associado ao primeiro pico de força necessário para colocar o sistema em movimento. O COF dinâmico é determinado a partir da força registrada durante o deslocamento.
A ASTM D1894-24 estabelece um método para determinar os coeficientes de atrito inicial e de deslizamento de filmes e chapas plásticas sobre si mesmos ou sobre outras superfícies, em condições especificadas.
Como o filme percorre uma linha automática de envase?
Embora a configuração varie entre equipamentos, um filme flexível pode passar por diferentes pontos de contato durante o processo:
- desbobinamento;
- roletes de direcionamento;
- controle de tensão;
- sensores de registro;
- tubo ou ombro formador;
- correias ou roletes de tração;
- sistemas de selagem;
- corte;
- transporte e descarga da embalagem pronta.
Em uma linha VFFS, o filme é transformado em um tubo, tracionado verticalmente, selado e preenchido. Em uma linha HFFS, o material avança horizontalmente enquanto envolve ou recebe o produto.
Também existem máquinas para sachês, pouches, embalagens pré-formadas, flow packs e outros sistemas automáticos.
Cada configuração cria combinações diferentes de pressão, velocidade, área de contato, ângulo de envolvimento e material de superfície. Por isso, o resultado de COF precisa ser interpretado em relação ao equipamento e ao ponto do processo em que ocorre a falha.
Como um COF alto afeta o envase automático?
Um COF elevado indica maior resistência ao início ou à continuidade do deslizamento nas condições avaliadas.
Isso não significa que o filme esteja necessariamente inadequado. A dificuldade surge quando a resistência supera a capacidade de movimentação ou a faixa de controle da máquina.
Dificuldade de desbobinamento
Se as camadas da bobina apresentarem resistência excessiva à separação e ao movimento, o sistema pode exigir maior força para alimentar o filme.
Essa condição pode produzir picos de tensão, especialmente na partida e nas retomadas da linha. A movimentação deixa de ser uniforme e o equipamento passa a compensar variações que se originam na própria superfície do material.
É importante não atribuir automaticamente toda dificuldade de desbobinamento ao COF. Bloqueio, pressão de bobinamento, temperatura de armazenamento, telescopagem e deformações também podem interferir.
Arraste no tubo ou ombro formador
Em máquinas VFFS, o filme precisa deslizar ao redor do conjunto formador. Uma superfície externa com atrito elevado contra o metal pode aumentar o arraste.
Como consequência, o material pode apresentar:
- avanço irregular;
- enrugamento;
- desalinhamento;
- deformação;
- variação na tensão;
- dificuldade para manter a trajetória;
- maior esforço sobre as correias de tração.
Quanto maior a área de contato e o envolvimento do filme sobre a peça, mais relevante pode se tornar a interação entre as superfícies.
Perda de registro
Em embalagens impressas, sensores e sistemas de controle procuram manter a arte gráfica alinhada com a região de corte e selagem.
Quando o filme não avança de maneira uniforme, o equipamento pode apresentar dificuldades para repetir corretamente o comprimento de cada embalagem. O resultado pode ser uma variação na posição da impressão, do corte ou da selagem.
O COF não é a única causa possível. Tensão inadequada, configuração dos sensores, alongamento do filme, diâmetro da bobina e ajustes do equipamento também devem ser considerados.
Redução da velocidade
Uma linha que funciona em baixa velocidade pode começar a apresentar enrugamento, arraste ou instabilidade quando sua cadência aumenta.
Nessas situações, diminuir a velocidade pode reduzir temporariamente o problema, mas não identifica sua origem. Se a limitação estiver relacionada à interação entre o filme e a máquina, o estudo do COF pode ajudar a comparar materiais e localizar a condição mais crítica.
COF muito baixo também pode causar problemas?
Sim. Um filme com baixo coeficiente de atrito desliza mais facilmente, mas o excesso de deslizamento pode comprometer o controle de movimentação.
A ideia de que "quanto menor o COF, melhor o filme" não deve ser aplicada de forma generalizada.
Escorregamento nas correias de tração
Correias e roletes precisam criar contato suficiente para puxar e posicionar o filme.
Quando a superfície é excessivamente deslizante, o sistema pode girar sem transferir todo o movimento esperado ao material. O filme avança menos do que deveria ou se movimenta de forma inconsistente.
Essa diferença pode afetar comprimento, posicionamento da impressão, corte e sincronização com a dosagem.
Instabilidade durante a formação
Uma superfície muito deslizante pode dificultar a manutenção da posição lateral do filme. Pequenas forças do processo passam a deslocá-lo com maior facilidade.
Dependendo da configuração da máquina, podem surgir movimentos laterais, variações no alinhamento da selagem longitudinal ou dificuldade para manter a geometria da embalagem.
Dificuldade de empilhamento e transporte
Depois do envase, as embalagens podem passar por esteiras, acumuladores, encaixotamento e paletização.
Um COF externo muito baixo pode fazer com que as embalagens escorreguem umas sobre as outras, especialmente quando empilhadas ou inclinadas. A propriedade que favorece a passagem do filme pela máquina pode, portanto, prejudicar etapas posteriores.
Perda de controle em sistemas de alimentação
Em algumas aplicações, o equipamento depende de aderência controlada para separar, alimentar ou posicionar filmes e embalagens.
Se o material deslizar excessivamente, ventosas, correias, pinças ou roletes podem não repetir o movimento com a precisão necessária.
Existe um valor ideal de COF para envase automático?
Não existe um valor universal adequado para todos os filmes, máquinas e produtos.
A faixa necessária depende de fatores como:
- modelo e configuração do equipamento;
- velocidade da linha;
- materiais presentes nos pontos de contato;
- desenho do tubo formador;
- sistema de tração;
- peso e comportamento do produto;
- estrutura e espessura do filme;
- presença de impressão, verniz ou revestimento;
- condições ambientais;
- etapas posteriores de transporte e encaixotamento.
Dois equipamentos podem exigir comportamentos diferentes do mesmo material. Da mesma maneira, dois lados de uma embalagem podem precisar de faixas distintas de atrito.
Por isso, a especificação deve ser construída a partir da aplicação, dos testes laboratoriais, do histórico de produção e da validação industrial.
COF e maquinabilidade são a mesma coisa?
Não.
A maquinabilidade, também chamada de desempenho de processamento, representa a capacidade do material de funcionar adequadamente no equipamento e na velocidade desejada.
O COF é uma das propriedades que influenciam esse comportamento, mas não é a única.
A própria ISO 8295:1995, referência para determinação dos coeficientes de atrito inicial e de deslizamento de filmes e chapas plásticas, informa que o método atende principalmente ao controle da qualidade e não oferece uma avaliação completa da maquinabilidade.
Além do atrito, o desempenho na linha pode depender de:
- rigidez do filme;
- módulo de elasticidade;
- espessura e sua uniformidade;
- planicidade;
- enrolamento da bobina;
- estabilidade dimensional;
- resistência à tração;
- comportamento térmico;
- selabilidade;
- hot tack;
- qualidade da impressão;
- precisão do equipamento;
- ajustes de tensão e velocidade.
Portanto, um resultado de COF dentro da especificação não garante sozinho que o filme funcionará perfeitamente. Ele fornece uma informação objetiva para comparação e investigação.
Como é realizado o ensaio de coeficiente de atrito?
No método convencional, uma amostra do material é posicionada sobre uma superfície plana. Outra amostra é fixada a um trenó com massa conhecida.
O trenó é deslocado sobre a superfície em velocidade controlada enquanto uma célula de carga registra a força necessária para iniciar e manter o movimento.
A relação entre a força de atrito medida e a força normal permite calcular o coeficiente de atrito.
A ASTM D1894-24 admite configurações com trenó estacionário e plano móvel ou com trenó móvel e plano estacionário. O método também prevê que o material seja ensaiado sobre si mesmo ou sobre outra superfície definida.
Equipamentos instrumentais registram a curva de força durante o deslocamento. O primeiro pico está relacionado ao atrito estático, enquanto uma região posterior da curva é utilizada para calcular o atrito dinâmico.
Para que os resultados sejam comparáveis, precisam ser controlados e registrados fatores como:
- superfícies colocadas em contato;
- sentido de fabricação do filme;
- condicionamento das amostras;
- temperatura;
- umidade;
- massa e características do trenó;
- velocidade de deslocamento;
- distância percorrida;
- limpeza das superfícies;
- tempo entre produção, recebimento e ensaio.
O resultado deve ser acompanhado das condições utilizadas. Um número isolado, sem identificação da configuração, possui utilidade técnica limitada.
Filme contra filme ou filme contra metal: qual contato avaliar?
A escolha depende do problema que precisa ser investigado.
Filme contra filme
Essa configuração ajuda a caracterizar o comportamento quando duas superfícies do próprio material entram em contato.
Pode ser relevante para:
- separação das voltas da bobina;
- movimentação das embalagens prontas;
- empilhamento;
- contato entre as faces interna ou externa;
- comparação entre lotes.
É necessário informar se o contato será externo com externo, interno com interno ou entre faces diferentes.
Filme contra metal
O ensaio pode ser utilizado para estudar a interação do material com uma superfície metálica definida.
Essa configuração pode contribuir para investigações relacionadas ao deslizamento sobre componentes do equipamento. Entretanto, a superfície utilizada no laboratório deve ser descrita, pois acabamento, limpeza e material podem alterar o resultado.
Uma placa metálica plana não reproduz integralmente a geometria, os ângulos, a pressão, a temperatura e o estado superficial de uma máquina industrial.
Filme contra correias ou outras superfícies
Quando a falha parece estar associada a uma correia, revestimento ou componente específico, pode ser necessário desenvolver uma avaliação comparativa utilizando uma superfície representativa.
Nesse caso, o procedimento precisa ser claramente documentado. Um protocolo adaptado não deve ser apresentado como se fosse idêntico ao método normativo.
Por que o lado do filme precisa ser identificado?
Filmes flexíveis podem apresentar estruturas assimétricas.
A face externa pode receber impressão, tratamento superficial, verniz de proteção ou uma camada resistente ao calor. A face interna pode conter a camada selante e aditivos formulados para outra finalidade.
Em materiais laminados, as propriedades da superfície são determinadas pela camada que permanece exposta, não apenas pelo polímero predominante na estrutura.
Trocar as faces durante o ensaio pode produzir resultados completamente diferentes.
Por isso, a solicitação deve identificar:
- lado interno;
- lado externo;
- sentido máquina;
- sentido transversal;
- superfície que entrará em contato com o equipamento;
- combinação de faces que será avaliada.
Marcar as amostras antes do corte ajuda a evitar inversões durante a preparação.
Por que o COF pode mudar com o tempo?
Alguns filmes utilizam agentes deslizantes capazes de migrar para a superfície. O desenvolvimento do efeito pode continuar depois da fabricação.
Temperatura, tempo de armazenamento, estrutura do filme, quantidade de aditivo e condições de contato entre as camadas podem alterar o comportamento observado.
Isso significa que o COF medido logo depois da produção pode não ser igual ao resultado obtido após dias ou semanas.
Para homologação e controle de qualidade, pode ser necessário definir claramente a idade da amostra no momento do ensaio.
Quais fatores podem alterar o coeficiente de atrito?
Aditivos deslizantes
Agentes deslizantes são utilizados para reduzir a resistência entre superfícies. Tipo, concentração, compatibilidade e migração podem afetar o resultado.
Uma alteração de formulação aparentemente pequena pode modificar a resposta do filme na máquina.
Agentes antibloqueio
Aditivos antibloqueio ajudam a reduzir a aderência entre camadas do filme, criando irregularidades microscópicas na superfície.
Embora possam influenciar o comportamento de deslizamento, bloqueio e coeficiente de atrito não representam exatamente a mesma propriedade.
Tratamento corona
O tratamento superficial utilizado para melhorar impressão, revestimento ou adesão pode alterar características da face tratada.
O COF deve ser verificado na estrutura final, especialmente quando o tratamento faz parte da superfície exposta.
Impressão, tintas e vernizes
Uma tinta ou verniz pode se tornar a superfície real de contato com componentes da máquina.
Dessa forma, o COF do filme sem impressão não necessariamente representa o material convertido e pronto para o envase.
Laminação e cura
Processos de laminação podem modificar rigidez, planicidade e características superficiais. A cura dos adesivos e o armazenamento posterior também devem ser considerados na definição do momento de ensaio.
Temperatura
O comportamento de polímeros, revestimentos e aditivos pode mudar com a temperatura.
A ASTM D1894-24 prevê, como opção, a medição em temperaturas diferentes de 23 °C por aquecimento ou resfriamento do plano de ensaio. Quando o processo ocorre em uma condição térmica relevante, o protocolo precisa ser discutido antes da avaliação.
Umidade e contaminação
Água, poeira, gordura, resíduos do produto e agentes de limpeza podem alterar o contato entre as superfícies.
As amostras devem ser manuseadas cuidadosamente e as condições do ensaio precisam ser registradas.
COF e bloqueio são a mesma coisa?
Não.
O bloqueio representa uma aderência indesejada entre camadas de filme mantidas em contato, normalmente sob determinadas condições de pressão, temperatura e tempo.
O COF mede a resistência ao início ou à continuidade do movimento entre superfícies.
Um filme pode apresentar dificuldade para separar as camadas da bobina por bloqueio e, depois de separado, possuir baixo atrito durante o deslizamento. Também pode apresentar pouco bloqueio, mas um COF elevado.
Se a bobina não abre adequadamente, avaliar apenas o coeficiente de atrito pode não explicar todo o problema. O histórico de armazenamento, a pressão de enrolamento e uma avaliação específica de bloqueio também podem ser necessários.
Quais sinais podem indicar um problema relacionado ao COF?
O coeficiente de atrito deve ser investigado quando a operação apresenta:
- picos de tensão durante o desbobinamento;
- avanço irregular do filme;
- escorregamento nas correias;
- enrugamento próximo ao formador;
- deslocamento lateral;
- perda intermitente de registro;
- variação no comprimento das embalagens;
- redução inesperada da velocidade;
- necessidade frequente de reajustes;
- diferenças de desempenho entre bobinas;
- embalagens que escorregam no empilhamento;
- um fornecedor ou lote que funciona e outro aparentemente semelhante que falha.
Esses sinais não comprovam, isoladamente, que o COF seja a causa. Eles indicam que a propriedade deve fazer parte da investigação.
Como investigar uma falha de envase relacionada ao atrito?
O primeiro passo é localizar exatamente onde o filme deixa de se comportar como esperado.
Se o problema ocorre no desbobinamento, devem ser avaliados bobina, tensão, bloqueio e contato entre as camadas.
Se aparece no tubo formador, torna-se importante analisar a face externa, o estado superficial do componente, a área de contato e a tração aplicada.
Quando existe escorregamento nas correias, o contato entre filme e sistema de tração precisa ser considerado.
A investigação pode seguir esta sequência:
- registrar equipamento, velocidade e parâmetros;
- identificar o ponto em que surge a instabilidade;
- mapear as superfícies envolvidas;
- separar amostras aprovadas e problemáticas;
- verificar lote, idade e condições de armazenamento;
- medir COF estático e dinâmico em configurações representativas;
- comparar os resultados com o histórico de produção;
- realizar ajustes controlados e validar na linha.
Enviar somente uma amostra defeituosa limita a comparação. Sempre que possível, é recomendável encaminhar também um material que funcione corretamente no mesmo equipamento.
Um ensaio de laboratório reproduz a velocidade da linha?
Não de forma completa.
O método laboratorial cria uma condição padronizada e controlada para comparar materiais. Uma máquina de envase trabalha com velocidades, acelerações, temperaturas, ângulos, pressões e áreas de contato mais complexas.
O ensaio convencional de COF é muito útil para controle de qualidade, homologação e investigação comparativa, mas não deve ser interpretado como uma reprodução integral da linha.
Esse limite é especialmente importante em equipamentos de alta velocidade. Um filme pode apresentar resultado adequado no teste padronizado e ainda exigir ajustes por causa da dinâmica real do processo.
A melhor abordagem combina caracterização laboratorial e validação industrial.
O COF deve ser avaliado antes ou depois da impressão e laminação?
Depende do objetivo.
Quando a finalidade é controlar a produção de um filme-base, o ensaio pode ser realizado antes da conversão.
Quando o objetivo é prever ou investigar o desempenho no envase, o material final costuma ser mais representativo, pois impressão, verniz, laminação, tratamentos e armazenamento podem alterar as superfícies.
Em projetos de desenvolvimento, pode ser útil avaliar diferentes etapas para descobrir em qual delas ocorre a mudança de comportamento.
É possível definir uma especificação de COF?
Sim, desde que a especificação seja construída com base em dados representativos.
Uma faixa pode ser definida após:
- avaliar materiais com bom desempenho;
- comparar lotes aprovados e problemáticos;
- padronizar as faces ensaiadas;
- definir idade e condicionamento das amostras;
- relacionar os resultados à velocidade da linha;
- confirmar o comportamento na produção;
- considerar etapas posteriores, como empilhamento e encaixotamento.
Copiar a especificação de outro filme ou equipamento pode gerar uma faixa inadequada.
Além do valor médio, é importante analisar a dispersão dos resultados. Um lote com grande variabilidade pode provocar funcionamento intermitente, mesmo quando a média aparentemente atinge o limite.
Quando solicitar o ensaio de COF?
O ensaio é especialmente indicado quando a empresa:
- desenvolve uma nova embalagem;
- altera a estrutura ou a espessura do filme;
- troca resina, aditivo, tinta ou verniz;
- homologa um novo fornecedor;
- aumenta a velocidade do envase;
- transfere o material para outro equipamento;
- observa diferenças entre lotes;
- enfrenta escorregamento ou arraste;
- identifica enrugamento e perda de registro;
- precisa comparar as faces interna e externa;
- investiga dificuldade de empilhamento;
- desenvolve uma estrutura reciclável ou monomaterial.
Materiais mais sustentáveis podem apresentar comportamento superficial diferente da estrutura substituída. A avaliação do COF ajuda a verificar se a mudança exige ajustes de formulação ou processamento.
Quais ensaios complementam a análise do COF?
O coeficiente de atrito avalia uma parte da interação entre material e equipamento. Dependendo do problema, outros ensaios podem ser necessários.
Hot tack
Avalia a resistência da selagem enquanto ela ainda está quente. É relevante quando a solda abre durante ou imediatamente depois do envase.
Resistência da selagem
Mede a força da união depois do resfriamento. Ajuda a avaliar o desempenho mecânico da solda estabilizada.
Termosselabilidade
Permite estudar como temperatura, pressão e tempo afetam a formação da selagem.
Tração e alongamento
Ajudam a compreender como o filme responde aos esforços de tracionamento e às variações de tensão da linha.
Bloqueio
Investiga a aderência entre camadas mantidas em contato e pode ser relevante quando existe dificuldade para abrir ou desbobinar o filme.
Integridade e vazamento
Verificam microfuros, canais e falhas de fechamento que não são determinados pelo ensaio de COF.
OTR e WVTR
Avaliam a barreira ao oxigênio e ao vapor de água. Essas propriedades ajudam a definir a proteção do produto, mas não demonstram como o filme será movimentado no equipamento.
Quais informações enviar ao laboratório?
Para definir um protocolo adequado, informe:
- estrutura e espessura do filme;
- identificação das faces interna e externa;
- sentido de fabricação;
- etapa em que a amostra foi coletada;
- idade do material;
- produto que será acondicionado;
- tipo de equipamento;
- velocidade da linha;
- ponto em que ocorre a falha;
- superfícies envolvidas;
- condições de armazenamento;
- presença de impressão, verniz ou revestimento;
- especificação utilizada, caso exista;
- objetivo da análise.
Quando houver uma falha industrial, encaminhar amostras aprovadas e problemáticas amplia a capacidade de comparação.
Também é importante proteger as superfícies durante o transporte. Dobras, sujeira, abrasão e contato excessivo podem alterar a região analisada.
Avalie o COF antes que o filme limite sua linha automática
Problemas de deslizamento não devem ser tratados apenas com alterações sucessivas de velocidade, tensão ou pressão.
O ensaio de coeficiente de atrito permite comparar materiais sob condições controladas, identificar diferenças entre superfícies e verificar se o comportamento do filme é compatível com o processo de envase.
A equipe da ADMESER pode analisar a aplicação, o tipo de contato e a falha observada para orientar a definição do protocolo mais adequado.
Fale com a ADMESER, envie as informações do filme e da linha de envase e solicite uma avaliação técnica do coeficiente de atrito da sua embalagem.
